Sobre a humanidade e a sua própria destruição pela guerra!
- Blog coordenador Angelo Ricchetti

- 29 de jun. de 2021
- 3 min de leitura
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O sonho de um homem ridículo, curta baseado na obra de Dostoiévski Por Revista Prosa Verso e Arte -
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O Sonho de um Homem Ridículo. Aleksandr Petrov Escrito por Dostoiévski em 1877, O Sonho de Um Homem Ridículo é uma narrativa fantástica, sombria e pessimista sobre a humanidade e sua perdição. O conto surgiu num contexto bélico (a Guerra Russo-turca), e exprime todo o sentimento de pesar de um cidadão sobre o mundo massacrante em que vive. A história é levemente alinear, e transita entre o sonho, a realidade, e a possibilidade de tudo o que é dito ser pura fantasia do narrador, uma vez originado na mente de um homem perturbado, vítima de uma doença social, causada pelo convívio humano que exige demais e abre poucas concessões. O paraíso é corrompido por uma intervenção externa e nada permanece intacto ou invisível aos olhos do mundo, dos homens, de Deus. Devemos lembrar que Dostoiévski já havia sido preso e exilado na Sibéria, além de ter cumprido serviço militar no Cazaquistão, o que lhe dava um alta dose de pessimismo e visão crítica de como as forças sociais (o governo, especificamente) podem interferir na vida de um cidadão e torná-la impossível, a ponto de um homem cogitar o suicídio. É nesse ponto que os questionamentos do Homem Ridículo centra-se, e é sob uma falsa felicidade e otimismo que temos a narração da história. Pode-se afirmar que além de Petrov, pouquíssimos realizadores conseguiriam transmitir o tom de loucura e medo contidos na obra de Dostoiévski. Não se trata apenas de uma adaptação literária. A versão de Petrov é uma animação ao mesmo tempo bela e sombria, e que consegue trazer as nuances literárias, as indicações subjetivas, os murmúrios e desconfianças de um “cidadão comum”, o chamado ironicamente de “Homem Ridículo”. Até que ponto da destruição de si mesma a humanidade conseguiu chegar? É possível que haja um regresso da maldade, ou a tendência é que os corações a atitudes humanas tornem-se mais podres e acabem por se aniquilarem? Através de sua técnica de pintura em vidro e filmagem delicada e paciente, Petrov nos apresenta a passagem entre o mundo chamado real e o mundo onírico, seja ele o paraíso cristão corrompido pelo ateísmo ou pelas vontades imediatas de grupos de homens; ou o paraíso terrestre da infância, cuja visão de beleza e paz volta ao Homem Ridículo como a lembrança mais bela. O diretor opta por trabalhar com diversas fusões de imagem e cortes bruscos de uma dimensão para outra. Pontos expressivos, como os focos de luz, geralmente servem de ligação entre esses dois mundos. Os traços formais da animação transitam entre a pintura agressiva, de pinceladas grossas e muita tinta, até a suavidade quase impressionista adotada pelo diretor nos momentos mais doces de seus filmes, como Meu Amor e A Vaca. A edição e mixagem de som trabalham cada ambiente como se ele fosse um pequeno inferno imaginário da personagem principal. Gritos, vozes, risadas macabras e conversas unem-se ao barulho do trem e sons de movimentos diversos. Como linha central narrativa em meio a essa polifonia, temos o monólogo interior do Homem Ridículo, por vezes, mais para si do que para o espectador, e por outras, tirando sua figura do pensamento e projetando-a na tela de forma dialética, nos incluindo, sem que percebamos, na história contada.



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